quarta-feira, 16 de março de 2011

O nome de Fleury continua presente nas trapalhadas da polícia paulista



Desde que o Antônio Ferreira Pinto, assumiu a Segurança Pública que a “cúpula” da Polícia Civil treme. É assunto recorrente nos corredores do palácio da polícia que Ferreira Pinto, quando superintendente da Administração Penitenciaria, montou um setor de inteligência para monitorar os presos com grampos telefônicos e traria consigo uma lista de policiais (de alta patente) flagrados nas escutas, envolvidos em negociações criminosas. Os fatos recentes confirmam esse “boato”, tanto quanto a informações privilegiadas, como aos métodos de ação adotados por Ferreira Pinto.
Porém, os fins não justificam os meios é tanta trapalhada que fica difícil saber quem é quem nessa história. Acharam um cachorro morto pra chutar. Se não cuidarmos vai sobrar só pra ele. Notícias publicadas hoje (16/3) acusam Paulo Sergio Oppido Fleury, ex-delegado de polícia de ter se passado por policial a fim de conseguir cópia de vídeo, com imagens do encontro do secretário com um jornalista vinculando o secretário à divulgação de notícias contra o sociólogo Túlio Kahn, ex-coordenador de estatísticas da SSP.
O secretário contra-atacou. Sob a alegação de que estava sendo espionado por policiais iniciou uma devassa na cúpula da polícia civil. O primeiro a cair foi Marco Antonio Desgualdo, ex delegado geral e tido como homem de confiança de Alckmin, acusado de deslealdade aos superiores por suposto envolvimento. Foram abertos inquéritos na Corregedoria da Polícia Civil, na Corregedoria Geral da Administração e no Ministério Público Estadual. Os delegados Marco Antonio Desgualdo e Everardo Tanganelli Junior são suspeitos de terem ido ao shopping com Fleury, e o investigador Oswaldo Luiz Cardenuto.
Além do afastamento de Marco Antônio Desgualdo, foram trocados mais dois diretores.
A novela continua...

terça-feira, 15 de março de 2011

Policiais corruptos contra políticos corruptos duelam com armas desleais e pernósticas

Em entrevista ao site Observatório da Imprensa o repórter Mário Cesar Carvalho (Folha de S. Paulo) comenta sobre o episódio de seu encontro com o secretario de segurança, Antônio Ferreira Pinto, no Shopping Higienópolis que, dente outros “tsunamis”, provocou a queda de Marco Antônio Desgualdo, ex Delegado Geral de polícia e homem de confiança do governador, Geraldo Alckimin. O texto tende a desviar do assunto. Leva a discussão para o fato de o vídeo ter sido divulgado sem autorização prévia. Fala da relação imprensa X autoridade, de fontes e de ética profissional. Porém, não deixa clara a relação entre a sucessão de fatos, que nos levam a concluir a existência de uma guerra armada no seio do Governo Alckimin, mais especificamente, dentro da secretaria de segurança, envolvendo tucanos de alta plumagem e uma horda de policiais corruptos, em busca de poder e vantagens.
Em entrevista hoje, Alckimin revelou que o assunto ainda não está encerrado e passa a bola à secretaria de segurança, de onde garante ter mais fatos a acrescentar ao episódio.
Que venham os próximos capítulos e que os vilões não saiam vitoriosos, como de costume.


A charge é antiga mas sua informação muito atual

Guerra na polícia de São Paulo atinge a Folha

Por Mauro Malin em 11/3/2011

Não é só no Rio de Janeiro que o aparato de segurança pública abriga conflitos explosivos. No Estadão desta sexta-feira (11), a revelação de imagens do circuito interno do shopping Pátio Higienópolis, mostrando encontro do secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, com o repórter Mario Cesar Carvalho, da Folha de S. Paulo, é tratada sob o título "Policiais espionaram secretário da Segurança".


Segundo o secretário, citado no Estadão, a conversa no shopping foi sobre caso que envolvia uma escrivã de polícia despida por corregedores durante uma revista. Segundo blogues que divulgaram as imagens, a conversa foi sobre atividades irregulares de um funcionário da secretaria, o sociólogo Túlio Khan, acusado de vender dados sigilosos e demitido no mesmo dia em que a notícia foi publicada pela Folha. Um desses blogues é atribuído a policiais civis. É anônimo. Convém lembrar que a Constituição de 1988, ao garantir a livre manifestação do pensamento, proibiu o anonimato.

Vigiado pela "banda podre"

O repórter Mario Cesar Carvalho deu ao Observatório da Imprensa entrevista em que avalia o episódio

Mario Cesar Carvalho – Eu tenho a forte impressão de que estou sendo espionado pelo que eu chamaria de banda podre da polícia. Por banda podre da polícia entenda-se delegados investigados sob suspeita de corrupção. Há vários casos em curso aqui em São Paulo que mostram suspeitas de desvios no Detran, que é a polícia de trânsito, e no Denarc, que é a de narcóticos. Eu tenho a forte impressão de que essas pessoas me seguem, ouvem minhas conversas no celular, a ponto de saberem onde eu estou.

Este quadro faz parte de um panorama maior, que é uma guerra não declarada, uma guerra surda, entre o secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, e o secretário de Transportes, o Dr. Saulo [de Castro Abreu Filho], que ocupou a pasta de Segurança no governo anterior de [Geraldo] Alckmin. O grupo do Saulo foi fortemente afetado pelas medidas que o Ferreira Pinto adotou, buscando moralizar a polícia. A reação desses policiais parece vir dessa forma: chantagear a imprensa, espionar jornalista. Só que a Folha, obviamente, não se curva diante desse tipo de chantagem.

Qual é sua opinião sobre a captura de imagens do circuito interno do shopping?

M.C.C. – O vídeo em si é uma violação da intimidade. Não há ordem judicial para o shopping entregar essas imagens.

Esse fato dá margem à abertura de um inquérito policial?

M.C.C. – Eu espero que a polícia abra um inquérito, porque houve ali, obviamente, um crime. A divulgação de imagens sem autorização judicial, imagens captadas por circuito de segurança, é um crime.



Secretaria fala em espionagem
O episódio é de tal magnitude que mais da metade do Painel da Folha de hoje é dedicado a ele, além da capa do caderno Cotidiano. Nessa reportagem, o jornal cita manifestação da Secretaria de Segurança. A Secretaria vê "forte indício de que grupos criminosos utilizaram [as imagens] para espionar o primeiro escalão do estado e o trabalho da imprensa". Essa convicção corrobora o que o repórter Carvalho disse ao Observatório da Imprensa.

A divulgação das imagens será objeto de investigação, anunciou o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Fernando Grella Vieira. A reportagem informa ainda que, após o governador Geraldo Alckmin ter dito que ninguém do governo do estado solicitou as imagens, o Shopping Pátio Higienópolis, que antes havia atribuído a "órgãos oficiais" a solicitação, passou a dizer que entregou o material a "policiais".

Enredo cinematográfico
Não se menciona o assunto na Folha, mas parece evidente que o shopping carece de orientação jurídica adequada. Entregar imagens a policiais não garante que elas serão usadas corretamente. No Estadão, a informação é de que policiais teriam induzido o shopping a entregar as imagens, alegando que investigavam "uma ocorrência de outra natureza". Como existe um clima de grande apreensão nos shoppings, devido a seguidos assaltos, a direção da empresa poderia supor tratar-se de trabalho preventivo. Isso atenuaria a lambança do shopping, mas não sua recusa a informar quem exatamente recebeu as imagens.

A Secretaria de Segurança, diz a Folha, pedirá hoje ao shopping a identidade dos policiais. Mas, na mesma reportagem, lê-se o seguinte:

"O primeiro a divulgar as cenas foi o radialista João Alkimin, no site Veja [o nome correto é "Vejo"] São José. Apesar de não haver indicação no vídeo, ele disse que o encontro ocorreu às 19h30 de 25 de fevereiro. A reportagem da Folha sobre Túlio Khan saiu em 1º de março.

A mulher do radialista, Tânia Nogueira, é advogada de Ivaney Caires de Souza e Everardo Tanganelli, dois delegados que perderam espaço na gestão Ferreira Pinto.

O radialista nega relação entre o vídeo e sua mulher.

O delegado Souza estava no shopping, com uma jornalista da Folha, no momento em que Ferreira Pinto se encontrava com Carvalho.

Souza diz ter visto o secretário, mas nega ligação com a divulgação das imagens".

Enredo digno de filme de suspense. Uma coincidência teria desencadeado a trama.

No Painel, aborda-se o lado político da crise. Avalia-se que o episódio desgastou o secretário Ferreira Pinto, mas que ele continuará à frente da pasta pelo menos enquanto Alckmin procura "um substituto que não sinalize a capitulação do governo estadual diante de setores da Polícia Civil descontentes com o secretário".

O que não está escrito, e chama a atenção, é que o secretário tenha marcado encontro fora de seu gabinete para conversar com o repórter.
Tudo bem que nem todos os contatos entre jornalistas e secretários ou outras autoridades devam ser feitos na sede da Secretaria, mas é de se presumir que nesse ambiente o secretário não se sinta à vontade para receber jornalistas, ao menos em determinadas situações.

Isso faz lembrar o relato de um velho amigo, já falecido. Há cerca de 35 anos ele foi chantageado numa transação comercial, sofreu ameaças, e tinha um caminho para levar o assunto ao então governador de São Paulo, Paulo Egídio Martins. No Palácio dos Bandeirantes, narrou sua história. A primeira coisa que Paulo Egídio perguntou foi: "Você já contou isso à polícia?" E meu amigo: "Não". O governador: "Ufa, ainda bem..."
Delegado demitido

Na reportagem do Estadão, a interpretação de que todo o episódio faz parte de um conflito entre Ferreira Pinto e o secretário de Transportes Saulo de Castro Ferraz Filho, ex-secretário de Segurança, é atribuída a "sites mantidos por policiais civis". O jornal dá outra informação relevante:

"Antes que o vídeo fosse divulgado [...], uma pessoa que se identificou como o ex-delegado de polícia Paulo Sérgio Oppido Fleury dizia ter cópia das imagens e ameaçava divulgá-las nos sites. Filho do delegado Sérgio Paranhos Fleury, símbolo da repressão durante a ditadura militar, ele foi demitido da polícia por Ferreira Pinto – acusado de crimes como suposto desvio de mercadorias apreendidas. O ex-delegado nega as acusações e diz ser vítima de perseguição do secretário".

Não se imagine que os conflitos na Segurança de São Paulo ficam apenas na esfera da luta pelo poder político. Eles envolvem confrontos violentos. No dia 4/3, a Folha publicou reportagem de André Caramante sobre operação para encontrar um fuzil .223 "utilizado no assassinato de quatro PMs e dois policiais civis. O fuzil é uma das principais armas usadas por um grupo de extermínio formado por dez ex-policiais militares e civis. De acordo com as investigações, os criminosos cobravam de R$ 30 mil a R$ 50 mil por trabalho".

Na mesma reportagem, lê-se:

"O Ministério Público pediu anteontem à Justiça a decretação da prisão preventiva do ex-PM Luiz Roberto Martins Gavião, suspeito de chefiar o grupo de extermínio.
Gavião, segundo os promotores, fugiu de São Paulo ao passar a ser investigado por chefiar o grupo, em 2010.
A prisão foi pedida porque o Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado] disse que ligações telefônicas comprovaram a participação dele na morte do policial civil Douglas Noaldo Yamashita, em Santo André, em abril de 2010.
Apontado pelo Gaeco como executor do grupo, o também ex-PM Jairo Ramos dos Santos confessou a morte de Yamashita dias após o crime, ao ser preso disfarçado num hospital. Ao atirar contra o policial civil, ele foi ferido.
À polícia, Santos confessou a morte de oito pessoas − três policiais civis e até empresários. Ao investigar esses homicídios, o Gaeco descobriu que seis das oito mortes dos quais o grupo é suspeito foram cometidos pelo fuzil .223 não encontrado ontem.
Vahan Kechichian Neto, advogado de Santos, diz que só fala sobre as acusações contra ele à Justiça.
Os dois policiais civis mortos, além de Yamashita, ajudavam a investigar o roubo de 119 armas do CTT (Centro de Treinamento Tático), um centro de treinamento de tiros particular em Ribeirão Pires (Grande SP), em 2009.


LIGAÇÕES
Gavião foi sócio em uma empresa de segurança particular do ex-delegado Paulo Sérgio Óppido Fleury, demitido da polícia paulista em junho de 2010 por irregularidades administrativas.
Fleury, de acordo com o promotor Oliveira, é investigado sob a suspeita de agenciar os crimes do grupo de matadores. Fleury nega participação nas mortes e diz ser ‘vítima de perseguição’."
Polícia e Estado
Grupos de extermínio em São Paulo e em Goiás (ver Barra-pesada no jornalismo goiano), milícias no Rio de Janeiro e agora, novidade, em Belo Horizonte... Os jornalistas brasileiros que se empenham em denunciar crimes, corrupção e malfeitos das polícias já conseguiram muito material relevante, mas fazem falta análises que mostrem toda a extensão e profundidade do problema. Um coronel (da ativa) da PM-RJ, Antonio Carlos Carballo Blanco, disse em debate promovido pelo Observatório da Imprensa ("As narrativas da polícia e da mídia se alimentam", julho de 2007), ao ser perguntado sobre a razão de sucessivos fracassos da polícia na tentativa de tomar redutos de narcotraficantes:

"Eu tenho até uma suspeita. Eu acho que parte desse fracasso se deve ao fato de que a PM não é a maior organização criminosa. Talvez seja o Estado. Porque nós estamos falando de um sistema, não estamos falando de uma peça do sistema. E se formos falar de democracia, temos que entender que, de uma forma geral, principalmente nas grandes metrópoles, de 1955 a 1975, a sociedade brasileira passou por um período de transformação talvez jamais visto na história da humanidade. Em vinte anos, o Brasil de característica tipicamente agrária, rural, se transformou numa sociedade de característica urbana, industrial. E nesse período o que nós verificamos é que uma massa significativa de retirantes se deslocou do campo para as grandes cidades em busca de melhores condições de vida. Só que as cidades, por sua vez, não se preocuparam em trabalhar, de um ponto de vista minimamente racional, a ocupação ordenada do solo, em fazer programas que pudessem prover essa população retirante de serviços básicos, essenciais, enfim, planejar e organizar a cidade.

A polícia, hoje e no passado recente, tem trabalhado em cima de efeitos. Quando falamos de democracia e de direitos humanos, o que eu observo é que existem, sim, graves violações de direitos humanos praticadas pela polícia. Mas o Estado também é omisso e permissivo".

A cobertura é feita dia a dia, fato após fato. Mas a compreensão só pode ser adquirida com um mínimo de aparato metodológico e conhecimento histórico. Assim, a reflexão e o debate, que se nutrem dos fatos, serão capazes de indicar políticas públicas eficazes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A cúpula da polícia de São Paulo encontra o fundo do poço

Chefe de Departamento de Homicídios de SP é afastado do cargo

ANDRÉ CARAMANTE
Folha de S. Paulo - 14/03/2011 - 14h32



Marco Antonio Desgualdo, ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e homem de confiança do governador Geraldo Alckmin (PSDB), foi afastado do cargo de chefe do DHPP (departamento de homicídios) na manhã desta segunda-feira.
A saída de Desgualdo ocorreu por "quebra de lealdade", segundo a Delegacia Geral da Polícia Civil. O nome do novo diretor do DHPP ainda não foi definido.

A Folha apurou que o ex-chefe da Polícia Civil de SP teria sido identificado como um dos policiais com participação no episódio do vazamento das imagens do circuito de câmeras do shopping Pátio Higienópolis (região central de SP) em que o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, foi filmado durante um encontro com o repórter da Folha Mario Cesar Carvalho.

As imagens foram divulgadas em sites e blogs --um deles ligado a policiais civis--, que relacionaram o encontro à reportagem do jornalista sobre a venda de dados sigilosos por um funcionário da Segurança, o sociólogo Túlio Kahn, que foi demitido.

Desgualdo teria admitido aos seus chefes ter sido chamado por um grupo de policiais para obter as imagens no Pátio Higienópolis, mas teria afirmado que não quis participar de nada e preferido ficar quieto. Como não teria comunicado a seus superiores que havia sido procurado para ir atrás da gravação, ele acabou afastado por "falta de lealdade administrativa".

A reportagem não conseguiu falar com Desgualdo, que é investigado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil e também pela CGA (Corregedoria Geral da Administração), órgão vinculado diretamente ao Palácio dos Bandeirantes.

O governador Geraldo Alckmin disse na manhã de hoje que aguarda as investigações da corregedoria sobre o caso e que punirá aqueles que desvirtuaram o trabalho policial. "Nós agiremos com absoluta firmeza e responsabilidade nesse caso. Então, se alguém desvirtuou seu exercício policial nesse caso, vai ser punido. Agora, vamos aguardar, até por respeito à Comissão Corregedora, aguardar o término desse trabalho."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vergonha! Vídeo expõe guerra no seio do PSDB e mostra a fragilidade da polícia civil paulista

Fatos graves como o do corregedor que, acobertado por superiores, não cumpre a lei; do sociólogo da SSP que vende dados sigilosos e uma infinidade de atos de corrupção, desmandos e abusos emolduram uma batalha no seio do governo Alkimin. Se não bastasse, desafetos da polícia civil aproveitam para vazar informações em blogs ligados à categoria, basta uma rápida pesquisada na rede que encontramos nomes outrora envolvidos em casos ilícitos, revelando atitudes estabanadas e desencontradas de superiores.

Nos últimos dias vazou um vídeo alusivo ao encontro do secretário de segurança de São Paulo com um repórter da Folha de S. Paulo. No pouco mais de um minuto de imagens o secretário, com um envelope amarelo nas mãos, encontra-se com o jornalista no Starbucks Coffee do Shopping Higienópolis. Poucos dias após o repórter publicou matéria de página inteira, com denúncias contra um dos principais assessores do próprio secretário, mas ligado a forças políticas opostas.

A seguir veja matéria publicada no site o Escrevinhador onde Rodrigo Viana expõe a truculência do PSDB paulista.


Por Ridrigo Vianna

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, é dos poucos remanescentes da equipe de Serra que foram mantidos por Alckmin. Como se sabe, Serra e Alckmin travam uma batalha absurda pelo controle do PSDB paulista. Ele é homem de Serra, mantido a contragosto por Alckmin...

Na época em que Alckmin montava seu gabinete, jornal paulista vazou a informação (plantada sabe-se lá com que interesses, mas podemos imaginar) de que a saída de Ferreira Pinto significaria a vitória da “banda podre” da polícia paulista. A reportagem saiu na “Folha” (o jornal costuma estar à disposição para as manobras de Serra), e foi assinada por Mario Cesar Carvalho. Guardem esse nome.

Depois disso, Alckmin ficou de mãos amarradas: se tirasse Ferreira Pinto, ganharia a pecha de beneficiar a “banda podre”. Se mantivesse Ferreira Pinto, teria cedido a pressões e manobras de um homem nomeado pelo antecessor Serra.

Alckmin optou pela segunda decisão. Mas mandou um recado a Ferreira Pinto (e a Serra), nomeando para a Secretaria de Transportes Saulo Abreu de Castro. Saulo era o homem forte da Segurança na gestão anterior de Alckmin como governador (2003/2006). É como se Alckmin dissesse a Ferreira Pinto (e, indiretamente, a Serra): você ganhou o primeiro “round”, mas a qualquer momento o fantasma de Saulo pode avançar sobre a Segurança de novo!

Pois bem. Na última semana de fevereiro, Ferreira Pinto foi bombardeado. Lembram-se da imagem da escrivã humilhada por uma equipe da Corregedoria de Polícia? Assessores de Ferreira Pinto dizem, em off, que o vídeo pode ter partido da turma de Saulo – interessado em desgastar o atual titular da Segurança.

Ferreira Pinto foi para o contra-ataque. Como?



No último dia 1 de março, o jornal “Folha de S, Paulo”, em boa reportagem de Mario Cesar Carvalho (!), trouxe a informação de que um assessor da secretaria de Segurança recebia grana como consultor “vendendo” informaçõe sigilosas para particulares. O nome do assessor: Tulio Kahn. Quem nomeou Túlio para o cargo, no mandato anterior de Alckmin? Saulo de Castro.

Parece complicado esse emaranhado, mas é importante prestar atenção: Saulo(=Tulio Khan)=Alckmin X Ferreira Pinto (=Serra).

Ontem, começou a circular um vídeo que mostra o secretario de Segurança Ferreira Pinto (aquele, nomeado por Serra, e mantido por Alckmin) circulando por um shopping de São Paulo. A imagem é do dia 25 de fevereiro (4 dias antes da reportagem da “Folha” ser publicada). Ferreira Pinto circula, com um envelope na mão, até que chega um homem, de jaqueta branca. Quem é esse homem? O jornalista Mario Cesar Carvalho

Qual a conclusão de quem acompanha essa área de Segurança? O secretário Fereira Pinto é que teria sido a fonte da “Folha”. Ou seja: Ferreira Pinto forneceu munição contra Tulio Khan, para atingir Saulo (o rival dele, que pode ocupar a secretaria de Segurança).

Hoje, jornalistas perguntaram a Ferreira Pinto se ele de fato se encontrou com o repórter da “Folha” no shopping. O secretário admitiu o encontro, mas não revelou o que havia no envelope, nem deu mais detalhes.

Antes que se façam insinuações feias, ninguém imagina que o envelope contivesse pagamento ou dinheiro. Nada disso. Imagina-se que continha informação que o Mario Cesar deve ter utilizado na reportagem.

O jornalsta da “Folha” não falou sobre o caso. E seu fosse ele não falaria. É o princípio básico do sigilo da fonte. Mario Cesar não fez nada de errado, ao contrário. O jornalista estava atrás de uma informação. Normalmente, é quando os políticos brigam que as informações circulam.

O incrível é outra coisa: um secretário vazar para o jornal informação que, no fim e ao cabo, atinge o próprio governo em que ele trabalha!

Mais um indcativo de como as relações enre os tucanos estão envenenadas.

Por último, algumas observações adcionais…

Por que um secretário se encontraria com um jornalista num shopping, e não no gabinete na secretaria? Talvez, para evitar que assesores vissem o jornalista, e depois contassem a Tulio Khan.

O vídeo que compromete Ferreira Pinto vazou na internet num blog do Vale do Paraíba (base política de Alckmin); o titular do blog chama-se João Alkimin (!!!!).

É o estilo de Geraldo Alckmin. Deu o troco usando um blog do interior, para fritar Ferreira Pinto em fogo brando. Nada de escândalo. O que interessa é apagar – aos poucos e sem fazer marola – os vestígios do serrismo no governo paulista.

Eles se amam. E olhe que 2014 ainda está longe. Mas no meio do caminho há 2012.

A Secretaria de Segurança de São Paulo publicou, há pouco, nota sobre o caso.

“A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informa

1) É grave a obtenção e a divulgação de imagens do circuito interno de um shopping center de São Paulo. Não por seu conteúdo, mas pelo forte indício de que grupos criminosos as utilizaram para espionar o primeiro escalão do Estado e o trabalho legítimo da imprensa, protegido pela Constituição Federal da República.

2) As imagens mostram um encontro ocorrido em um lugar público entre o secretário de segurança de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto e um jornalista de importante veiculo de comunicação.

3) Não há nada de suspeito na conversa entre ambos. Suspeito seria um encontro do secretário com criminosos comuns ou funcionários públicos corruptos.

4) A imagem de pessoas só podem ser utilizadas se houver expressa autorização ou por ordem judicial. Portanto, o vazamento das imagens produzidas pelo circuito interno do Shopping Higienópolis constitui crime.

5) Deve-se, aliás, à continuidade do combate ao crime e à corrupção policial a queda histórica dos índices de criminalidade em São Paulo. O Estado de São Paulo atingiu o menor índice de homicídios da história recente. É o que apontam as Estatísticas da Criminalidade divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Novamente o crime caiu em São Paulo e chegou-se, em 2010, a 10,47 homicídios dolosos para cada 100 mil habitantes. Em 1999, quando a taxa era de 35,27/100 mil, alcança a significativa marca de 70,3%. De lá para cá, os índices têm mostrado queda consistente. A taxa de 10,47, registrada em 2010, é menor do que a metade da taxa de homicídios brasileira, de 24,5 para cada 100 mil habitantes/ano.

6) Tal avanço só foi possível pela sucessão de políticas de segurança virtuosas, acompanhadas, sempre, do combate implacável à corrupção e à violência policial. Desde 2009, 298 policiais foram demitidos a bem do serviço público. Outros 324 foram expulsos ou exonerados.

7) Vale ressaltar que, desde a recondução do secretário Ferreira Pinto ao cargo de secretário da Segurança, o inconformismo de uma pequena parcela de policiais prejudicados com a austeridade da política atual de segurança se intensificou.”

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Harley assume a marca no Brasil



15/02/2011


Harley-Davidson assume controle da marca no Brasil. E quer crescer.


O Brasil é parte da estratégica de crescimento global que a Harley-Davidson Motor Company apresentou hoje (15) em São Paulo, quando passa a assumir a importação e distribuição da marca no Brasil, tornando-se uma subsidiária.

A empresa planeja um crescimento de 40% até 2014 nas vendas fora dos Estados Unidos e para isso vai nomear entre 100 e 150 novas concessionárias em vários países nos próximos quatro anos.

Longino Morawski, diretor-superintendente Comercial da Harley-Davidson do Brasil, anunciou a inauguração de concessionárias nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte e disse que está planejando a nomeação de outras nos próximos meses, com o objetivo de criar uma rede para cobrir o mercado brasileiro.

"Estamos entusiasmados com a oportunidade que o Brasil representa para nossa empresa. Já demos importantes passos em direção ao desenvolvimento de uma rede de concessionárias que atenda às necessidades dos clientes e esteja alinhada aos padrões mundiais da empresa. Certamente, 2011 será um ano marcante na história da Harley-Davidson no Brasil", disse o dirigente. A Harley passa a assumir o controle da empresa no Brasil, que estava na mão do Grupo Izzo.

A preocupação da empresa nesse momento é atender o seu consumidor, por isso a ênfase é no Pós venda.

"Queremos oferecer ao consumidor brasileiro a qualidade que representa uma marca premium, como a nossa, disse Mark Van Genderen, vice-presidente da Harley-Davidson Motor Company América Latina. Longino reafirmou que a empresa pretende oferecer um atendimento de alta qualidade aos seus clientes. "Vamos reduzir de 15 para três dias a entrega de peças de reposição solicitadas nas concessionárias. Em São Paulo o tempo será ainda menor: o cliente terá a peça em 24 horas",disse.

A empresa vai abrir um centro de treinamento em São Paulo, na nova sede da Harley-Davidson do Brasil, no Morumbi, que será usado também para treinar técnicos de toda a América do Sul e terá um armazém de peças na região do Rodoanel.

A empresa vai abrir quatro concessionárias em São Paulo, duas no Rio e uma em Campinas, Goiânia, Curitiba, Brasília e Porto Alegre.

A fábrica de Manaus está sendo ampliada, mas mesmo antes da expansão toda a linha 2011 será produzida no Brasil, um total de 13 modelos, todos com freio ABS de série.

A expectativa da empresa é vender "um pouco mais" das quatro mil unidades comercializadas em 2010.

Por Joel Leite às 16h59


Publicado no site "Mundo em Movimento" (UOL)