terça-feira, 5 de abril de 2011

Harley Davidson Brasil: e não é que os preços não aumentaram!



Depois de anunciar que assumiria as operações brasileiras, a Harley-Davidson divulgou os novos preços de seus modelos para o mercado nacional e superou as expectativas. A matriz norte-americana agora tem o controle total das vendas no País. Os valores referem-se aos modelos da linha 2011, que começam chegar às lojas em breve. As motos continuam a ser montadas em Manaus/AM, os modelos da linha VRSC, Night Rod Special e V-Rod Muscle ficaram mais baratas. A produção na zona franca reduz o custo dos impostos e a nova administração de vendas e distribuição proporciona a redução de valores. O modelo de ingresso na linha pode ser encontrado a partir de R$ 46.500.



A Softail, Fat Boy, vem com freios antitravamento (ABS) e será comercializada com valores a partir de R$ 44.900. Quem imaginava que os preços das novas motos ganhariam cifras estratosféricas, rodou. Parece que os caras vieram firmes no guidão.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Bolsonaro: CALA BOCA


Esse vídeo de 2008, mostra o valente deputado Bolsonaro ameaçando dar um tapa na então deputada Maria do Rosário, hoje Ministra-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos, a quem chama de “vagabunda”.

O mesmo Bolsonaro que, em resposta à cantora Preta Gil durante o programa CQC, que perguntou ao deputado o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma mulher negra, respondeu: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”.

A desculpa do deputado é de que entendeu errado a pergunta e achou que a artista se referia a uma relação homossexual.

Esse cara tem de ser punido. Não é possível que coisas como essa possam continuar acontecendo em nosso país. Vamos cobrar os deputados e exigir transparência no processo, mandem mail para cdh@camara.gov.br.


Carta publicada no site Conversa Afiada publica

Sr. Bolsonaro,
Venho atraves deste e-mail exercer o meu Direito de Resposta relativo as suas afirmações no programa CQC.

Sou cotista de medicina com muito orgulho, graças ao presidente Lula.

Caso o senhor tenha o infortunio de sofrer um acidente algum dia e cair nas minhas mãos em um pronto socorro, terei o maior prazer em atendê-lo, pois só vendo o senhor viver é que terei a certeza de que continuará sofrendo ao ver a diversidade de raças e a prosperidade do povo mestiço brasileiro.

Vai um presente para o senhor. Imprima, coloque numa moldura e se delicie olhando para os seus herois, por que os nossos… os nossos são outros e o senhor sabe muito bem quem são.


Maiara Silva

terça-feira, 22 de março de 2011

O que será da segurança pública paulista?

A conturbada situação da segurança paulista ganha contornos de tragicomédia. São traições, espionagem, corporativismo, desmandos e muito desencontro, contrapondo-se a uma complexa rede de interesses. Se fosse apenas isso não seria nenhuma novidade. Porém, o agravante é que essa tragicomédia se passa num estado onde o legislativo está nas mão do governo e ninguém investiga nada. Só nos últimos dias falamos em venda de dados sigilosos, compra terreno milionário e helicóptero por funcionários do DETRAN e do DENARC, corrupção, formação de quadrilha e abuso de autoridade na Corregedoria.

Talvez seja esse o momento de mudarmos esse panorama e termos uma polícia honesta e eficiente, com melhores e bem remunerados profissionais. Seria bom que os policias deixassem de lado o corporativismo e cumprissem o seu papel, uma vez que nosso legislativo é apenas figurativo. É preciso cumprir a lei, investigar essas denúncias e punir os culpados sejam eles quem forem, para o bem de nossos filhos.


O secretário sem segurança

Até onde vai a crise que expõe duas facções do governo Alckmin?

O roteiro é de filme B. Um homem da confiança do governo vende dados sigilosos sobre a segurança pública a empresas do próprio governo, que anuncia dados parciais otimistas da redução da violência. O servidor é afastado, mas as informações vendidas continuam restritas aos compradores, “para não alarmar a população”. O chefe da polícia, anunciado como um caçador de corruptos, é espionado, acusado de revelar o caso a um jornalista. Os espiões são autoridades filmadas em ação e o chefe alvo da arapongagem faz uma devassa na corporação. Nas bases, policiais civis e militares se dizem insatisfeitos e os delegados ameaçam entrar em greve. Qual é o pano de fundo da trama produzida nas últimas semanas na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que consome 11,9 bilhões de reais por ano para proteger os 42 milhões de paulistas?

A guerra se dá entre dois grupos, como em outubro de 2008, quando as polícias Militar e Civil entraram em confronto aberto nas ruas da capital. Desta vez, acontece no interior dos altos gabinetes. De um lado estaria o atual mandatário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, policial militar por 15 anos, secretário herdado por Geraldo Alckmin da administração José Serra e com tênues ligações com o PSDB. De outro, a turma do ex-titular da Segurança, atualmente no comando da Secretaria de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho, da confiança de Alckmin, mais afeito à Polícia Civil e ao partido.

Era de se imaginar que Saulo de Castro levaria vantagem. Não é o caso. Ele acumula derrotas. Primeiro, o afastamento de Kahn, seu aliado. Agora, a demissão de Marco Antonio Desgualdo, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), cargo que ocupava por indicação do atual secretário de Transportes. Desgualdo, em parceria com o ex-delegado Paulo Sérgio Oppido Fleury, filho do temido Sérgio Paranhos Fleury, o torturador da ditadura, e mais três colegas, seria o responsável pelo vazamento das imagens das câmeras de segurança do Shopping Higienópolis que mostram o encontro entre Ferreira Pinto e o jornalista Mário César Carvalho, da Folha de S.Paulo. Dias depois, Carvalho assinaria a reportagem sobre os negócios de Kahn.

Não bastasse, denúncias da existência de uma máfia no Departamento de Trânsito provocarão uma mudança radical no órgão. Ele passará a ser subordinado à Secretaria de Gestão. Os cargos de delegados de trânsito serão extintos e os 859 policiais a serviço do Detran irão para delegacias comuns. O governo estadual promete punir e eliminar as ilegalidades.

Espanta, como sempre, a falta de reação a tantos escândalos. A oposição na Assembleia Legislativa acaba, como de costume, esmagada pela maioria governista. O Ministério Público continua em silêncio. Em consequência, Kahn, o vendedor de informações públicas, permanece sem ser ouvido. Quando denunciado, o ex-servidor declarou que havia montado a empresa por recomendação do então secretário de Segurança Saulo de Castro. “O caso é muito grave. Convocar o Khan seria o mínimo, e nós tentamos, mas acham que macularia a imagem do governo. Infelizmente, em São Paulo, o Legislativo é proibido de fiscalizar. Assim, a publicidade do caso se dá apenas em torno da espionagem entre esses grupos, o que mascara a situação. O caso em si perdeu força”, analisa o deputado estadual Major Olímpio (PDT), ex-policial militar.

Olímpio foi o autor de um pedido frustrado de uma CPI da Segurança Pública em 2007, logo após os ataques de facções criminosas em São Paulo. À época, como hoje, a oposição era minoria na Assembleia, mas, por conta do apelo popular, conseguiu reunir 38 assinaturas, seis a mais do que o necessário. Em vão. “Na última hora, sob forte pressão do governo, sete deputados retiraram suas assinaturas. Alguns me disseram chorando: ‘Estou com vergonha de olhar para você, mas não posso’”.

O deputado possui informações sobre o pano de fundo da crise da segurança pública e expõe situações que não aconteceriam hoje se investigadas a tempo. “Não vejo como briga de grupos. Vejo, de um lado, um grande marketing policial em São Paulo e, de outro, fatos realmente assustadores, como a venda de dados sigilosos, estatísticas fantásticas, subnotificação da violência, plantões fechados, corrupção, tortura, um enorme déficit de policiais muito mal remunerados e insatisfeitos, cortes orçamentários no setor. E nada é investigado.”

Estudioso das estatísticas e baseado em informações de funcionários, o parlamentar aponta: a redução da violência no estado não é sentida nas ruas e parte dela se justifica pelas subnotificações. “Até a redução de homicídios propagandeada pelo governo (10,4 assassinatos por 100 mil, menor índice do País) é uma tendência nacional e não poderia ser diferente no estado que detém o maior PIB. Há subnotificações de quatro para cada roubo ou furto, porque a população só registra os casos quando precisa do Boletim de Ocorrência. E hoje muitos plantões da periferia ficam fechados.”

Um dos dados mais graves apontados pelo deputado é que, durante 22 meses de governo, Serra cancelou concursos públicos para policiais e cortou verbas da segurança, o que ampliou o déficit de policiais civis e militares e aumentou os descontentamentos. “O Alckmin herdou um buraco negro nas duas polícias. Não se acham policiais no mercado e a formação de novos leva um ano e meio, do edital à farda.” De acordo com Olímpio, há um déficit de 6 mil PMs e 4 mil civis. Para compensar a falta na PM, afirma, o governo instituiu os “bicos oficiais”. Na Civil, os delegados acumulam funções em várias cidades e ameaçam entrar em greve. Na PM, não há ameaça de greve, considerada motim na corporação, mas a insatisfação é crescente. A Secretaria da Segurança Pública alega que gasta 10 bilhões de reais de seu orçamento com a folha e nega a existência de deficiências no setor.

A presidente da Associação dos Delegados de Polícia no Estado de São Paulo (Adpesp), Marilda Pinheiro, anuncia que a categoria decidiu entrar em greve no início de abril e adianta que o clima é muito tenso entre os delegados. Outras entidades ameaçam acompanhar a paralisação. Segundo ela, embora as reivindicações sejam salariais, a situação chegou “ao limite” quando foi anunciado que 900 dos 3,2 mil delegados estão sob investigação. “Não nos interessa a briga política que pode haver entre eles. Agora estão fazendo uma caça às bruxas, como se todos os delegados fossem corruptos. Estão jogando nossos nomes na lama”, afirma, antes de concluir: “O que acontece na verdade é que estamos prestando péssimos serviços à população: faltam delegados, investigadores, escrivães, não temos tecnologia suficiente, as delegacias caem aos pedaços e acumulamos plantões”.

Torce-se para que a greve tenha mesmo o objetivo de expor os problemas estruturais e não apenas servir de base para uma reação corporativista. Manter o controle e a vigilância sobre a atividade policial – e, portanto, investigá-la quando necessário – é dever do Estado.

domingo, 20 de março de 2011

Brasil está pronto para 'contribuir' no Conselho de Segurança, diz Dilma

Governo brasileiro quer ampliação dos membros permanentes.
Veja a íntegra do discurso da presidente Dilma Rousseff.

Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff afirmou neste sábdo (19), em discurso que antecedeu o almoço com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o Brasil está pronto para contribuir com o Conselho de Segurança das Nações Unidas. O governo brasileiro defende a ampliação do número de membros permanentes no Conselho de Segurança.

"O mundo de hoje não é o mesmo de 60 anos atrás. Também aqui, o Brasil tem consciência das suas responsabilidades e, por isso, estamos prontos a dar a nossa contribuição para a paz e a segurança internacionais num Conselho de Segurança das Nações Unidas ampliado, mais equitativo e mais democrático".

Veja a íntegra do discurso abaixo
Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
Palácio Itamaraty, 19 de março de 2011

Em nome do povo brasileiro, eu quero reiterar as boas-vindas ao presidente Barack Obama.
Esta visita é uma grande oportunidade para inaugurarmos mais um capítulo de nossa parceria, adequando-a às realidades e aos desafios do século XXI. É motivo de grande honra para mim que esse encontro ocorra nos primeiros meses do meu governo e, mais ainda, no contexto da primeira viagem oficial do presidente Obama à América do Sul. A presença, entre nós, de Michelle Obama, Malia e Sasha e de importante comitiva com autoridades do primeiro escalão, políticos e empresários, reforça o espírito de amizade com que nos reunimos.

Como disse pela manhã, é fato a ser celebrado que a primeira mulher Presidenta do Brasil receba hoje o primeiro Presidente afro-descendente dos Estados Unidos. Isso ganha ainda maior significado quando lembramos que os Estados Unidos e o Brasil são os dois países com a maior população negra fora da África. Nossos países possuem inúmeros traços comuns. Aprofundar as afinidades entre nossos povos, torna os laços de amizade que nos unem mais significativos e duradouros do que uma relação baseada apenas em pactos formais entre governos.

Somos democracias multiétnicas. Temos uma história de luta pela afirmação das minorias, pelo respeito à diversidade e contra a discriminação e a intolerância. Valorizamos a liberdade, a igualdade e a independência entre povos e nações. Prezamos nossas respectivas soberanias.
Hoje, adotamos um comunicado conjunto e uma série de acordos que atestam a densidade das relações entre nossos países. Estabelecemos novos objetivos não só na agenda bilateral, mas também regional e global, com base nos quais queremos construir um ordenamento de paz e de cooperação.

Os Estados Unidos e o Brasil perseguem, juntos, a conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha da OMC, com regras de comércio mais transparentes e mais justas. No comércio bilateral, estou certa de que é de mútuo interesse promover a geração de fluxos mais equilibrados, tanto em termos quantitativos como qualitativos. A capacidade e o dinamismo do setor privado dos nossos países é fundamental para atingirmos esse objetivo. Por isso nós cumprimentamos o Fórum dos Dirigentes Empresariais dos dois países.

Presidente Obama,
Como eu já disse hoje pela manhã, o Brasil atual vive realidade econômica sólida e pujante. Orgulha-nos salientar que o progresso alcançado nos últimos anos tenha beneficiado, sobretudo, os mais pobres. Desde 2002, milhões de cidadãos passaram a integrar as faixas de renda média e alta da sociedade brasileira. Esse é um feito histórico de inclusão social. Eu estou comprometida a continuar nessa direção, dando sequência ao governo do ex-presidente Lula, buscando também a erradicação da pobreza extrema no Brasil.

Nosso desenvolvimento também tem sido realizado de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente. Nós sabemos que a matriz brasileira uma matriz renovável, mas estamos, aqui, dispostos a fazer uma grande parceria na área de energia, tanto no que se refere à exploração do pré-sal quanto no que se refere à exploração de energias renováveis e limpas, que podem garantir, para toda a humanidade e para o Brasil e os Estados Unidos, um melhor desenvolvimento e de forma mais sustentada. Tenho certeza que conto com a parceria dos Estados Unidos nessa nobre empreitada.

O Brasil do século XXI continua engajado na promoção da harmonia em sua região. Temos orgulho, como eu já disse, de viver em paz, há mais de um século, com todos os nossos dez vizinhos. Estamos empenhados na consolidação de um entorno de paz, segurança, democracia, cooperação e desenvolvimento com justiça social.

Mas o nosso olhar vai mais além, presidente Obama.
Construímos parcerias na África e no Oriente Médio. Alimentamos a legítima esperança de contribuir, sem voluntarismo, na busca de soluções criativas para os grandes desafios contemporâneos, como a promoção de um acordo de paz entre israelenses e palestinos, povos amigos com os quais nos sentimos solidários.

Cooperamos com a Índia e a África do Sul, no Fórum Ibas. Dialogamos regularmente, ao lado de nossos vizinhos sul-americanos, com o mundo árabe, nas cúpulas da Aspa. Mantemos igualmente importante diálogo América do Sul-África, continente a que tanto devemos, no âmbito da cúpula ASA. Integramos, com as economias mais dinâmicas da atualidade, o grupo dos BRICs. Desenvolvemos uma parceria estratégica com a União Europeia. Queremos contribuir para uma “multipolaridade benigna”, fundada numa dinâmica de cooperação livre das assimetrias do passado, geradoras de crises e de instabilidades.

Caro presidente Obama,
O Brasil e os Estados Unidos compartilham convergências que podem se traduzir em sintonia de propósitos no presente e no futuro, se para isso dedicarmos o melhor de nossos esforços.
Os desafios do século XXI são muito complexos. O potencial desestabilizador de crises políticas a que temos assistido é imprevisível e também requer adequação dos mecanismos internacionais de governança política. O mundo de hoje não é o mesmo de 60 anos atrás. Também aqui, o Brasil tem consciência das suas responsabilidades e, por isso, estamos prontos a dar a nossa contribuição para a paz e a segurança internacionais num Conselho de Segurança das Nações Unidas ampliado, mais equitativo e mais democrático.

Presidente Obama,
O senhor pode ter certeza que eu espero que o senhor e a sua família levem de Brasília e do Rio de Janeiro as melhores recordações deste país amigo. Os Estados Unidos e o Brasil são duas nações grandes, com um futuro grande de amizade e cooperação à sua frente. Queremos construí-lo. Com esse espírito, proponho que ergamos um brinde ao senhor, ao sonho de Martin Luther King, o mesmo sonho de brasileiros e americanos. Sonho de liberdade. Sonho de esperança. E, presidente Obama, gostaria de acrescentar: sonho de harmonia e de paz entre todos. Um brinde ao senhor, a sua família e a sua delegação.

Segundo Obama a esperança venceu o medo

No principal discurso no Brasil, o presidente americano, Barack Obama, mesmo sem dizer o nome, cita Lula e diz que a esperança venceu o medo, slogan usado por Lula depois de eleito presidente. Fala da evolução econômica nos últimos anos e o novo posicionamento do pais no cenário econômico mundial. Reconhece a importância do Brasil e exalta a estratégia de Dilma dos porões da ditadura até a presidência. Veja a seguir a íntegra do discurso que direcionou os holofotes do mundo para o Brasil


Íntegra do discurso:

"Oi, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa!
Boa Tarde, todo o povo brasileiro.

Desde o momento em que chegamos, o povo desta nação tem graciosamente mostrado à minha família o calor e a generosidade do espírito brasileiro.

Obrigado! E um agradecimento especial por vocês estarem aqui mesmo tendo um jogo entre Vasco e Botafogo daqui a algumas horas. Eu sei que os brasileiros não desistem facilmente de seu futebol.

Uma das primeiras referências que eu tive do Brasil foi um filme que eu vi com a minha mãe quando eu era criança, um filme chamado "Orfeu Negro", rodado em favelas do Rio durante o Carnaval. Minha mãe amou esse filme, com suas canções e danças que tinham lindos morros verdes como fundo, ele estreou em forma de uma peça bem aqui, no Teatro Municipal.

Minha mãe já se foi agora, mas ela nunca iria imaginar que a primeira viagem do filho dela ao Brasil iria ser como presidente dos Estados Unidos. E eu nunca imaginei que esse país seria ainda mais deslumbrante do que naquele filme. Vocês são, como diz a canção de Jorge Ben Jor, 'Um país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza'. Eu estou vendo essa beleza nas encostas, nas infinitas extensões de areia e oceano, e na vibrante diversidade de brasileiros que estão aqui hoje.


Jason Reed/Reuters
Barack Obama acena à plateia no Theatro Municipal do Rio antes de discuso a mais de 2.000 pessoas
Barack Obama acena à plateia no Theatro Municipal do Rio antes de discuso a mais de 2.000 pessoas

Nós temos cariocas e paulistas. Nós temos baianas e mineiros. Nós temos homens e mulheres de cidades do interior; e tantos jovens, que são o futuro dessa grande nação.

Ontem, eu encontrei com sua maravilhosa nova presidente, Dilma Rousseff, e conversei sobre como nós podemos estreitar a parceria entre nossos governos. Mas hoje, eu quero falar diretamente ao povo brasileiro sobre como nós podemos estreitar a amizade entre nossas nações. Eu vim para falar dos valores que nós compartilhamos, as esperanças que nós temos em comum, e as diferenças que nós podemos fazer juntos.

Nossas jornadas iniciaram de forma similar. Nossas terras são ricas por criação divina, lar de povos antigos e indígenas. Desde o além-mar, as Américas foram descobertas pelos homens que procuravam um Novo Mundo, e colonizadas por pioneiros que foram empurrados para o oeste, ao longo de vastas fronteiras. Nós nos tornamos colônias reivindicadas por coroas distantes, mas cedo declaramos nossa independência. Nós demos as boas-vindas às ondas de imigrantes em nossos países, e finalmente limpamos a mancha de escravidão de nossas terras.

Os Estados Unidos foram a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil, e a instalar uma representação diplomática nesse país. O primeiro chefe de Estado a visitar os Estados Unidos foi o líder do Brasil, Dom Pedro 2º. Na Segunda Guerra, nossos bravos homens e mulheres lutaram lado a lado pela liberdade.

Depois da Guerra, nossas nações também lutaram para alcançar plenamente a benção da liberdade. Nas ruas dos EUA, homens e mulheres marcharam e sangraram para que cada cidadão pudesse desfrutar da mesma liberdade e das mesmas oportunidades --não importando sua aparência ou origem. No Brasil, vocês lutaram por duas décadas contra ditadores pelo mesmo direito, de serem ouvidos --pelo direito de serem livres do medo e livres para querer. E ainda, durante anos, a democracia e o desenvolvimento só tomaram lugar lentamente, e milhões sofreram por isso.

Aqueles dias já passaram. O Brasil hoje é uma democracia que floresce --um lugar onde as pessoas são livres para dizer o que pensam e para escolher seus líderes; onde uma criança pobre de Pernambuco pode escalar do chão de uma siderúrgica para o cargo mais importante do Brasil.

Durante a última década, o progresso alcançado pelo povo brasileiro tem inspirado o mundo. Mais da metade dessa nação é hoje considerada classe média. Milhões vêm sendo retirados da pobreza. Pela primeira vez, a esperança está retornando a lugares onde o medo prevaleceu por muito tempo. Eu vi isso hoje, quando visitei a Cidade de Deus. Não são apenas os novos programas sociais e esforços da segurança pública que estão transformando as favelas; trata-se de uma mudança de atitude. Como disse um jovem morador, 'as pessoas não têm de olhar para as favelas com pena, mas como uma fonte de presidentes, advogados, doutores, artistas, [e] pessoas com soluções'.

A cada dia que passa, o Brasil é um país com mais soluções. Na comunidade global, vocês confiaram em outras nações para ajudar a combater a pobreza e as doenças, onde quer que elas existam.

Vocês desempenham um importante papel nas instituições globais que protegem nossa segurança comum e promovem nossa prosperidade comum. E vocês irão receber o mundo em seu litoral quando a Copa do Mundo e as Olimpíadas vierem para o Rio de Janeiro.

Você deve ter ouvido que esta cidade não era exatamente a minha primeira escolha para as Olimpíadas. Mas se os Jogos não pudessem ser realizados em minha cidade natal Chicago, não haveria lugar que gostaria de vê-lo do que aqui, na cidade do Rio de Janeiro. E pretendo voltar em 2016 para assistir.

Por muito tempo, o Brasil foi uma nação com muito potencial, mas prejudicada pela política, tanto interna quanto externa. Por muito tempo, vocês foram chamados de um país do futuro, e diziam para que esperassem por um dia melhor que estava sempre muito próximo. Meus amigos, esse dia finalmente chegou. E o Brasil não é mais o país do futuro. Para o povo brasileiro, o futuro chegou.

Nossos países nunca concordaram em todos os assuntos. E, como muitas nações, nós teremos divergências de opinião no futuro. Mas estou aqui para dizer a vocês que os americanos não apenas reconhecem o sucesso brasileiro -- nós torcemos por isso. Enquanto vocês enfrentam os muitos desafios que ainda têm pela frente em casa e fora dos seus domínios, permitam que os EUA estejam juntos - não como uma relação de parceiro experiente e iniciante, mas como parceiros em condições de igualdade, parceiros por causa de um espírito de interesse e respeito comuns, voltado para o progresso que podemos alcançar juntos.

Juntos, podemos obter avanços na nossa prosperidade comum. Como duas das maiores economias do mundo, nós trabalhamos lado a lado durante a crise financeira para restaurar o crescimento e a confiança. E para manter nossas economias crescendo, nós sabemos o que é necessários em nossas duas nações.

Nós precisamos de uma mão de obra qualificada, educada, é por isso que empresas americanas e brasileiras têm se comprometido a ajudar aumentar os intercâmbios de estudantes entre nossas nações. Nós precisamos de um compromisso com inovação e tecnologia, é por isso que concordamos em expandir a cooperação entre nossos cientistas, pesquisadores, e engenheiros. Nós precisamos de infraestrutura de primeiro nível, é por isso que empresas americanas querem ajudar vocês a construírem e prepararem esta cidade para um sucesso Olímpico.

Em uma economia global, os EUA e o Brasil deveriam expandir o comércio e o investimento de forma a criar novos empregos e oportunidades em ambas nossas nações. É por isso que estamos trabalhando para romper barreiras à realização de negócios, e é por isso que estamos construindo relações mais próximas entre nossos trabalhadores e empreendedores.

Juntos, nós podemos promover segurança em energia e proteger nosso bonito planeta. Como duas nações comprometidas com economias mais verdes, nós sabemos que a solução definitiva para nosso desafio energético está em fontes limpas, renováveis. É por isso que metade dos veículos desse país consegue rodar com biocombustíveis, e a maior parte da nossa eletricidade vem de hidrelétricas. É por isso que nós impulsionamos uma indústria de energia limpa nos EUA. E é por isso que os EUA e o Brasil estão criando novas parcerias na área de energia --para compartilhar tecnologias, criar novos empregos, e deixar para nossas crianças um mundo mais limpo e seguro do que encontramos.

Juntas, nossas duas nações podem ajudar a defender a segurança de nossos cidadãos.

Estamos trabalhando juntos para parar o tráfico de drogas que tem destruído muitas vidas neste hemisfério. Nós perseguimos o objetivo de um mundo sem armas nucleares, and estamos trabalhando juntos para aumentar a segurança nuclear em nosso hemisfério. Da África ao Haiti, estamos trabalhando lado a lado para combater a fome,a doença e a corrupção que pode estragar uma sociedade e privar seres humanos de dignidade e oportunidade. E hoje, nós estamos oferecendo assistência a apoio ao povo japonês em seu momento de maior necessidade.


Marcelo Sayão/Efe
Barack Obama gesticula durante seu discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Barack Obama gesticula durante seu discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Os vínculos que unem nossas nações ao Japão são fortes. No Brasil vocês abrigam a maior população japonesa fora do Japão. Nos EUA, nós formamos uma aliança de mais de 60 anos. O povo do Japão é um dos nossos amigos mais próximos, e nós vamos rezar com eles, estar ao lado deles, e reconstruir com eles até que esta crise tenha passado.
Nesse e em outros esforços para promover paz e prosperidade pelo mundo, os EUA e o Brasil são parceiros não apenas porque compartilhamos uma história e um continente; não apenas porque compartilhamos laços comerciais e culturais; mas porque compartilhamos determinados valores e ideais duradouros.

Nós acreditamos no poder e na promessa de democracia. Nós acreditamos que nenhuma outra forma de governo é mais efetiva na promoção do crescimento e da prosperidade que atinja todo ser humano. E aqueles que creem no contrário --que acreditam que a democracia impede o progresso econômico-- deve se confrontar com o exemplo do Brasil.

Os milhões neste país que saíram da pobreza para a classe média não o fizeram em uma economia fechada controlada pelo estado. Vocês estão prosperando como um povo livre com mercados abertos e um governo que atende aos seus cidadãos. Vocês estão provando que o objetivo de justiça social pode ser melhor atingido por meio da liberdade, que a democracia é o melhor parceiro do progresso humano.

Nós acreditamos também que em nações tão grandes e com tanta diversidade como as nossas, modeladas por gerações de imigrantes de todas as raças e crenças e origens, a democracia oferece a melhor esperança de que todo cidadão seja tratado com dignidade e respeito; que nós podemos resolver nossas diferenças pacificamente e encontrar forças em nossas adversidades.

Nós sabemos por experiência que nossa forma escolhida de governo pode ser lenta e desordenada; que a democracia deve ser constantemente fortalecida e aperfeiçoada ao longo do tempo. Nós sabemos que nações diferentes tomam caminhos diferentes para realizar suas promessas, e que nenhuma outra nação deve impor seu desejo a outra.
Mas nós também sabemos que existem certas aspirações compartilhadas por todos os seres humanos: Nós queremos ser livres e ouvidos. Nós ansiamos por viver sem medo ou discriminação; por escolher como somos governados e por moldar nosso próprio destino. Essas não são ideias Americanas ou Brasileiras. Não são ideias ocidentais. São direitos universais, e nós devemos apoiá-los em todos os lugares.

Hoje, nós temos visto a luta por esses direitos se desdobrar pelo Oriente Médio e o Norte da África. Nós temos visto uma revolução nascer de um anseio por dignidade humana básica na Tunísia. Nós temos visto protestos pacíficos na praça Tahir --homens e mulheres, jovens e idosos, cristãos e muçulmanos. Nós temos visto o povo da Líbia ter a coragem de se levantar contra um regime determinado a brutalizar seu próprio povo. Em toda a região, nós vimos jovens se levantando - uma nova geração exigindo o direito de definir seu próprio futuro.

Desde o começo, nós deixamos claro que as mudanças que buscavam precisavam nascer do seu próprio povo. Mas, como duas nações que vêm perseguindo a perfeição em nossas democracias ao longo das gerações, os EUA e o Brasil sabem que o futuro do Mundo Árabe será determinado por seu povo.

Ninguém pode dizer ao certo como esse levante vai terminar, mas eu sei que a mudança não é algo que devemos temer. Quando jovens insistem que a história está em movimento, o peso do passado é levado pela água. Quando homens e mulheres pacificamente pedem direitos humanos, nossa humanidade em comum sai fortalecida. Onde quer que a luz da liberdade apareça, o mundo se torna um lugar mais brilhante, mais vivo.

Esse é o exemplo do Brasil. Brasil --um país que mostra que uma ditadura pode virar uma democracia próspera. Brasil --um país que mostra que a democracia oferece liberdade e oportunidade para seu povo. Brasil --um país que mostra como um chamado por mudança que começa nas ruas pode transformar a cidade, o país e o mundo.

Décadas atrás, fora desse teatro em região próxima daqui, na Cinelândia, onde o chamado para a mudança foi ouvido no Brasil. Estudantes e artistas e líderes políticos de todos os tipos se reuniram com cartazes que diziam: 'Abaixo a ditadura. O povo no poder'. Suas aspirações democráticas não se tornaram realidade nos anos que se seguiram, mas uma das jovens brasileiras do movimento daquela geração persistiu para mudar para sempre a história desta nação.

Uma criança filha de imigrantes, sua participação no movimento a levou à cadeia, presa e torturada nas mãos do seu próprio governo. E soube o que significa viver sem os direitos humanos mais básicos, direitos pelos quais muitos estão lutando hoje em dia. Mas ela também sabe o que é perseverar. Ela sabe o que é se superar. Porque, hoje em dia, essa mulher é Dilma Rousseff, a presidente da nação.

Nossas duas nações enfrentam muitos desafios. Na estrada à frente, haverá muitos obstáculos. Mas, no final, é a nossa história que concede a esperança de um amanhã melhor. É o conhecimento de que homens e mulheres que vieram antes de nós obtiveram sucesso em desafios maiores que os de hoje --que nós vivemos em um lugar que pessoas comuns fizeram coisas extraordinárias.

É esse senso de possibilidade e otimismo que fez parte dos desbravadores do Novo Mundo. É o que faz com que nossas nações sejam parceiras no novo século. E é a razão de acreditarmos, nas palavras de Paulo Coelho, um dos seus mais famosos escritores, 'com a força do seu amor e da sua vontade, nós podemos mudar nosso destino, assim como o destino de muitos outros'.

Muito obrigado. Obrigado, e que Deus abençoe nossas nações.