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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Tiradentes Bike Fest 2019

Mais uma vez a cidade de Tiradentes/MG foi palco do 27º Tiradentes Bike Fest. No último final de semana do mês de junho a cidade foi tomada por amantes de motocicletas de diversas partes do País. 

Reconhecido como um dos maiores encontros de motos do Brasil, o Bike Fest novamante contou com a presença dos Arcanjos MC. 

Das suas 27 edições estivemos presentes em mais de 20 delas.















terça-feira, 28 de junho de 2016

50 sccoters na estrada a caminho de Holambra

Parecia passeio do HOG (Grupo de proprietários de motos Harley Davidson), só passei dos 100km/h na volta, quando me despedi do grupo e na descida, claro.

Ponto de encontro: Ponto Frio da Marginal Tietê, o nome do local combina com o frio que castigava a moçada
Recentemente, comprei uma Scooter 125 e, durante uma pesquisa para escolher a moto, conheci alguns grupos de aficionados por esses pequenos brinquedos (alguns não tão pequenos). São vários deles, têm grupos dedicados a marca, estilo e até ao modelo da “lambretinha”. Os participantes trocam informações técnicas, conselhos e rola muita ajuda em dúvidas mecânicas e de manutenção. É muito interessante, são grupos heterogêneos que acolhem desde o garoto que comprou a moto porque é barata até o “tiozinho” que, como eu, queria uma coisa mais urbana pra rodar. 

A primeira parada foi com menos de 50 quilômetros
Um desses grupos, o All Scooteres, organiza periodicamente passeios com seus membros para cidades da região metropolitana de São Paulo e quando os conheci estava rolando um para Holambra - SP. De imediato me interessei, seria uma grande oportunidade para testar a “motinho” – chamo a Burgman 125i assim, afinal minha outra moto pesa quase 400 kg - e encontrar as pessoas que me ajudaram. Porém, junho é mês de Tiradentes, na mesma data ocorre  o encontro anual de motos, na cidade de Tiradentes – MG, que frequento há mais de 10 anos. Mas, o destino se incumbiu de me por na estrada com essa moçada. A hospedagem em Minas Gerais furou, fiquei sem ter onde ficar. Abortei Tiradentes e fui parar em Holambra.

Na página do Facebook eles se organizam, confirmam presença e divulgam a programação. Alguns dizem que levarão convidados e outros lamentam não poder ir, pelas minhas contas participaram do evento umas 40 scooters e cerca de 10 motos, também de pequeno porte, a maioria com garupa.

50 motos paradas no acostamento causa um certo 
transtorno na estrada
O ponto de encontro foi próximo a Lapa, na marginal Tietê, às 7h, sob um frio ártico. O grupo chega aos poucos. Nem todos se conhecem pessoalmente, coisa moderna: grandes amigos virtuais que nunca se viram. Um dos organizadores recebe as pessoas, apresenta uns aos outros e estes vão se juntando aos mais antigos, já velhos conhecidos. Por volta das 7h30 é feito uma reunião de briefing e a foto oficial. Aliás, o que não faltou foi foto oficial, em épocas de self tudo é motivo para foto.

De São Paulo a Holambra, pelo percurso que a organização planejou, foram cerca de 140km, com várias paradas. São 50 motos na estrada, andando a média de 80km/h, em formação Daytona, duas a duas, intercaladas uma a frente da outra, como as marcas de passos deixados na areia, formando uma longa fila na faixa direita da pista.

Mesmo andando muito abaixo do limite de velocidade, toda vez que passávamos por um radar nosso guia, o líder do comboio que vai a frente do pelotão, levantava o braço esquerdo sobre a cabeça. Esse sinal é repetido, para que todos saibam da existência do radar. Essa é uma prática muito comum entre grupos que andam rápido, para evitar serem pegos pelo radar. No nosso caso, não seria necessário tal procedimento, mas vamos em frente.

Depois de algumas paradas para esperar retardatários e nos juntar a outro grupo da região de Valinhos seguimos para estrada. Muitos participantes carregam em suas garupas as namoradas, as scooters menores e menos potentes sofrem um pouco devido ao peso extra das companheiras e sempre que aparece uma subida o comboio perde velocidade. Mas, a essa altura o sol já apareceu e torna a viagem muito agradável.

A moderação na velocidade nos permite observar a paisagem e até cumprimentar as pessoas dos diversos automóveis que passam buzinando e acenando para os scooters. As crianças adoram.

Parada no portal de Holambra. Todos com o celular na mão.
Chegamos a Holambra, paramos nossas motos enfileiradas junto a entrada do Portal da cidade. É significativa a presença feminina no bonde (nome que se dá a um grupo de motos andando juntas), muitas com suas próprias scooters. 

O sol a pino já ardia e, dali pra frente, não pegaríamos mais estrada. O lugar transformou-se num enorme camarim, todos tiraram suas pesadas roupas de frio e as guardaram nas motinhas. Isso mesmo. As scooters têm porta malas, uns maiores outras nem tanto, mas sempre cabe ao menos um capacete.  

Fomos direto para a rua turística da cidade, um lugar charmoso, com suas fachadas coloridas onde funcionam simpáticos bares e restaurantes. Uma rua arborizada e estreita, por onde passa apenas um carro por vez. Nos finais de semana o local recebe grupos de motociclistas, muitos com suas ostensivas Harley Davidsons, vestidos a caráter, que param por ali para comentar a performance de suas motos no caminho. Enfileiramos as 50 scooters e imponentemente atravessamos a “passarela” com nossas pequenas máquinas. Não ficou um dentro dos bares e restaurantes, viramos a atração de Holambra.

 A rua das casas coloridas abriga diversos bares
e restaurantes muito charmosos
Almoçamos e visitamos alguns pontos turísticos da linda e charmosa Holambra. Hora de partir. Parada no posto para abastecer. Imagine 50 motos chegarem de uma só vez num posto de gasolina, com talvez 8 bombas e três frentistas para atender. Parecia invasão, coisa de Walking Dead.

O engraçado é que a maioria, mesmo depois de percorrer 140 km, completou o tanque com menos de quatro litros de combustível. Um assunto era recorrente, todos falavam do consumo da sua moto. A minha fez inacreditáveis 43,5 quilometro por litro. Apesar de extremamente econômicas elas não têm muita autonomia, seus tanques são pequenos e cabe pouca gasolina, claro que nas maiores esse problema é bem menor.

A volta foi mais rápida, não que fomos mais depressa, paramos menos, apenas três vezes. No caminho, o pessoal que se juntou a nós em Valinhos seguiu para sua região. Já próximos a São Paulo fizemos a última parada pra uma foto final  e as despedidas, certos de que em breve nos veremos novamente para mais uma vez juntar um bando de gente diferente, com suas motinhos em busca de um mesmo objetivo: ser feliz sobre duas rodas.
Fim de tarde, despedida.

As fotos publicadas nesse post foram produzidas pelos participantes do passeio e publicadas no Grupo All Scooters, do Facebook



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Uma Harley e seis BMW na Serra do Rio do Rastro e do Corvo Branco

Portal do Rastro da Serpente em Capão Bonito
No inicio do abril de 2014 juntamos um grupo de amigos motoqueiros, equipados com uma BMW GS-1.200, cinco GS-800 e uma motocicleta Harley Davidsom para viver uma pequena aventura. Nosso objetivo era fazer curvas e nos divertir nas deliciosas Serras Catarinenses. Foram 2.300 km. Saímos de São Paulo, numa quarta feira, com destino a Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina. Seguimos por Capão Bonito, cidade onde tem início o Rastro da Serpente, um conjunto de estradas secundárias com mais de 800 curvas, formadas pela SP 250, que vai até Apiai e pela BR-476, que inicia em Adrianópolis chegando em Curitiba. Passamos quase que o dia inteiro fazendo curvas e andando em zig zag. Tontos e com a cintura pesada paramos em Joinville.

No dia seguinte seguimos pela BR 101 até Toledo, na região de Orleans e Lauro Müller, em busca das curvas do Rei do Rastro. A estrada que percorre a Serra é um trecho da rodovia SC 438, que sai de Tubarão, próximo ao litoral catarinense, passando por Orleans, Lauro Müller, Bom Jardim da Serra e vai até São Joaquim.
Mirante no inicio do Rei do Rastro

Rodamos por alguns quilômetros até a estrada que nos levou a serra. A paisagem supera o esperado, já no inicio pode-se ver as exuberantes formações rochosas que dão origem os cânions da região. É impossível rodar por muito tempo. A cada curva uma nova imagem convida para uma foto ou mesmo uma simples contemplação. Parávamos as motos nos mirantes a beira da estrada. O pessoal não fala muito apenas observa, quando se viaja em um grupo de motos as paradas não planejas costumam causar confusão, nesse caso não teve problema, o difícil era voltar a rodar.
A pista é muito bem cuidada, tem grouves no asfalto e flores para decorar a paisagem
Quanto mais nos aproximávamos do topo da montanha mais as curvas fechavam, algumas chegam a quase 180 graus. Nas paredes laterais formadas pela rocha, cortada na construção da estrada, escorre água e às vezes uma pequena cachoeira. Foram feitas ranhuras no asfalto (grouve), a fim de dar vasão a água, evitando aquaplanagem. Isso facilita a vida de quem passa por lá. A paisagem ganha aspectos grandiosos, forma-se um imenso vale com morros cobertos por vegetação, mas em determinadas partes pode-se ver a rocha exposta. Uma nevoa espessa começava a cair. Na altitude em que nos encontrávamos podíamos observar o serpentar da estrada por entre a encosta da montanha, ter passado por li da até arrepio. Eram muitas curvas, a imagem forma um zig zag, que lembra o Z do Zorro, são pistas estreitas onde caminhões são obrigados a manobrar para passar, tudo isso pendurado na encosta. A pista é extensa e vista de determinados pontos chega a lembrar a imagem da grande  muralha da China vista pelo alto.

A água escorre pela encosta o tempo todo
A coisa tem um ar assustador devido à altitude de quase 1500 m, da agressividade das suas mais de 250 curvas, em apenas 8 Km e do estreito caminho molhado com inclinação média de 9%. Mas, na verdade não é nada disso. Todos passam por ali com segurança, bem devagar, seguem em velocidade moderada, não é possível tirar os olhos da paisagem, alguns trechos exibem belas hortênsias ornamentando o caminho, é uma sensação de paz sem fim. Segundo pesquisa de um site espanhol que pergunta, qual é a estrada mais incrível do mundo? o Rio do Rastro é a mais votada (Ranking de las 14 carreteras másasombrosas del mundo)
Aqui é fácil entender o que é pista sinuosa
Quando chegamos ao cume a neblina tomava conta, não era possível enxergar mais de 5 metros a frente da moto, eu uso óculos, nessas condições ele embasa sob a viseira e é necessário abrir o capacete para poder enxergar (o meu é articulado e permite essa manobra). A coisa fica pior, a lente molha e além da neblina tem o reflexo das gotas d’água. Saí dali quase que em “braile”, o jeito foi seguir a linha amarela que divide as pistas na estrada.
Cinco metros de visibilidade
Depois de uma parada para recuperar o folego seguimos para o hotel. Outra surpresa. A essa altura, muito cansados, já havíamos rodado cerca de 1000 km pelos trechos mais difíceis do trajeto e estávamos molhados, devido a nevoa e uma garoa fina que começara a cair. A pousada foi numa fazenda da região transformada em hospedaria, logo na chegada a proprietária do local, dona Márcia, sugeriu que estacionássemos nossas motos sob a cobertura da varanda, onde estavam localizados os quartos, logo vi que estávamos em casa,ela se preocupou com as motos. Dai pra frente: “Festa de Babette”. Em uma sala aconchegante, toda em madeira, com decoração campestre e direito a lareira, ela nos serviu queijos, salame e vinho enquanto esperávamos suas ajudantes prepararem o jantar. O capelete foi feito ali mesmo, na hora, sob nossos olhos.

A massa (capeletes) sendo preparada para o jantar
A noite estava fria e úmida, na sala da lareira tudo era festa, de repente chega um sujeito vestido de preto, todo encolhido, com as roupas molhadas e as mãos geladas. Era um motoqueiro do Rio Grande do Sul, que também subiu a serra e havia ouvido falar na cidade que uma turma de moto seguiu para Fazenda Santa Rita. Ele foi atrás e nos encontrou. A motocicleta é quase um fenômeno sociológico, ela consegue unir os desiguais, não importa se sua moto é grande ou pequena, moderna ou antiga, estradeira ou de trilhas, tampouco se o sujeito é de direita ou de esquerda, na estrada todos são iguais e merecem respeito. Logo adotamos o gaúcho, que jantou e bebeu conosco até não poder mais. No dia seguinte seguiu viagem junto com o grupo.
Da esq. p/ dir: Luiz Mauro, Mário, Juliuo, Alemão (Douglas), o Gaúcho, Biba (Anibal), Maurício e eu fotografando


Café colonial - Descobri que nessa viagem que isso é sinônimo de fartura. À noite, enquanto falávamos dos prazeres da gula, alguns expunham seu apreço por determinados pratos como strudel, bolo de chocolate, torta de queijo, crostolie e mais uma porção de iguarias. Dona Márcia, ficou atenta e preparou todos os quitutes citados a noite, para o café da manhã. Nova comilança. Ficamos quase duas horas à mesa.

Em um mirante de estrada, quase chegando a Urubici
Pé na estrada, vamos para Urubici conhecer o morro da igreja. Para chegar lá é preciso retirar um passe na sede do departamento turístico local, não se paga nada é free, o problema é que a cidade fecha para o almoço e tivemos de esperar por mais de uma hora até o estabelecimento abrir. Do hotel até a Urubici pegamos umas das estradas mais gostosas por onde já rodei, foram 70 kms de curvas de alta, com asfalto impecável, por entre fazendas e pastagem com visual incrível, O clima estava levemente frio e ensolarado, éramos 7 motos andando uma atrás da outra proporcionando um balé incrível, privilegiando quem vinha por último e assistia a essa “valsa” de camarote. Eu era o primeiro da fila, mesmo assim, torci para não acabar, mas logo chegamos.
O acesso para o Morro da Igreja é feito pela rodovia SC 439 e depois por uma estrada que leva ao topo do morro. Quase próximo do fim da estrada há uma placa indicando que a área é militar, existe uma base da aeronáutica por lá, mas é permitida a passagem.
Pedra furada, uma das atrações do Morro da Igreja em Urubici

O Morro da Igreja possui 1.822 metros de altitude e é considerado o ponto habitado mais alto do sul do Brasil. Lá de cima a paisagem é maravilhosa. O tempo estava ótimo, havia poucas nuvens e parecia que elas estavam se formando ali mesmo, num fenômeno muito bonito. Naquele momento podia-se ver ao longe. Bem a frente do morro principal fica a Pedra Furada, uma atração do lugar, o céu estava limpo e podíamos vê-la perfeitamente. A ocorrência de neblina e ventos é frequente, de repente tudo mudou, surgiram várias nuvens, o tempo fechou e prejudicou a visibilidade, o topo do morro ficou acima delas. Um motoqueiro que conhecemos lá, que viajava com a esposa, falou que desde que casou “prometeu que levaria a mulher às nuvens e isso estava acontecendo naquele momento”.
De repente as nuvens tomam conta de tudo

As nuvens chegaram e nos fomos. A ideia inicial era descer sentido Palhoça SC, ganharíamos tempo e a distância percorrida seria menor que a da ida. O pneu dianteiro da minha moto já estava um tanto desgastado, depois dessa sequencia de curvas ele chegou ao fim. Como estava previsto passarmos por Curitiba e tenho amigos lá, pedi para que comprassem um novo para que eu o substituísse. Comecei a ficar um tanto apreensivo, havíamos pegado chuva no dia anterior e a possibilidade de ocorrerem novamente era grande, pneu careca e chuva definitivamente não combinam. Precisávamos rodar. Curitiba estava longe, dormiríamos em Florianópolis.
O ponto mais alto da viagem: Morro da Igreja

No final do caminho de volta do Morro da Igreja havia uma placa indicando Serra do Corvo Branco. Alguém sugeriu para seguimos por lá, descendo por ali alcançaríamos o litoral mais rapidamente e poderíamos pegar a BR 101 e rodar mais rápido, com segurança. Além é claro de conhecer mais um ponto turístico. E lá fomo nós. Em um determinado momento o asfalto acaba e em seu lugar surge uma estradinha de terra, bem compactada, esburacada e cheia de curvas. Todos de BMW seguiram sem problemas eu com a Harley também segui, mas já imaginava que não seria fácil. Rodamos por essa estradinha na esperança de que ela fosse acesso a uma maior e asfaltada, um carro veio no sentido contrário, parou para conversar e nos encorajou a seguir, avisou que não haveria uma estrada maior, mas que aquela nos levaria ou topo da serra, onde se encontra o maior corte na rocha já realizado para construção de uma estrada, uma fenda de 90 metros de altura. Eles disseram “que ela desceria com asfalto, precário nas curvas e terra no restante e que não fariam o percurso de carro porque estavam sem combustível”. E lá fomo nós: Pra cima e avante. Realmente a altura da fenda na rocha impressiona. Quando chegamos ao topo nos deparamos com duas paredes altíssimas formadas pela rocha partida, lembrando até cenário de filme futurista, logo imaginei uma nave em perseguição voando de lado rente a parede, mas uma moto surgiu lá de baixo em minha direção e me acordou do sonho.
Na Serra do Corvo Branco tem o maior corte em rocha, para a realização de uma estrada no Brasil.
Descemos um pouco para ver o que nos esperava. Mais uma paisagem deslumbrante. É uma espécie de miniatura do Rio do Rastro, curvas em forma de Z, encravadas na encosta, porém sem a infraestrutura da outra. O asfalto praticamente não existe, ela é muito estreita, boa parte é de terra e esburacada, ao menos é o que se via lá de cima. Um dos membros do grupo desceu um pouco mais para fazer o reconhecimento e nos relatou que dava pra encarar. Lá fomos nós.
A estrada que leva à Serra do Corvo Branco estava em péssimas condições

Confesso que estava gostando daquele raly, a Harley pulava feito um trator a cada buraco que eu não conseguia desviar, na descida era preciso tomar cuidado com o freio, meu pneu dianteiro estava liso e motos estilo custom tem muito peso na parte traseira, quando acionamos o freio dianteiro ela corre o risco de escorregar devido a transferência de massa. Fiz o trajeto na ponta dos dedos. Em um determinado momento a paisagem mudou, já tinha vencido as curvas do início da serra, agora era a hora dos atoleiros, buracos e pedras para todos os lados. Existe um princípio de obras na região, alguns desvios foram implantados, mas deve ter chovido muito no local e toda a estrada se transformou num enorme lamaçal.
Curvas acentuadas e asfalto precário
O pior é que isso combinado a uma topografia irregular com descidas íngremes e curvas acentuadas fazia o caminho parecer uma pista de esqui e as motos uma prancha de snow bord, nem as BMW passaram incólumes. A coitada da Harley sambava pra todos os lados, o terreno forçava para que eu rodasse sobre os sulcos deixados por tratores, que outrora socorreram alguém por ali, mas a moto é baixa e acabava afundando na lama. Nas decidas mais bravas pilotava com ela engrenada e brecava usando a chave que corta a energia elétrica, uma vez que não era possível colocar o pé na pedaleira para acionar o freio. Teve um momento em que ela enroscou e eu não consegui segurar, deve pesar mais 250 kg, soltei, mas ela não caiu completamente ficou encostada no barraquinho formado pelo sulco da pista.

A estrada circunda a montanha e termina numa poça de lama
Como falei anteriormente, essa coisa de moto deveria render um estudo sociológico mais aprofundado. Quem viaja sabe que não se deve deixar ninguém pra trás, se saímos juntos vamos chegar juntos. Em situações críticas como essa o cuidado se redobra, os mais experientes ficam para trás a fim de socorrer os menos rodados, se necessário. E assim seguimos uns amparando os outros até chegarmos a um local seguro (pista seca e lisa). Nesse caso foi um bar, desses bem simples, numa região de sitiantes. Ele estava fechado, mas a dona nos forneceu água fresca e até umas fatias de bolo de chocolate. Faltou tocar Highway To Hell do AC/DC. Lá comemoramos nosso feito em vencer essa barreira e jogamos uma água em nossas botas, que estavam cheias de barro grudado. Levamos umas 3 horas para vencer esse trecho. O sol já dava seus últimos suspiros, na região litorânea de Santa Catarina, demos uma acelerada e conseguimos dormir em Laguna. Foi o sono merecido dos guerreiros.
Passar de Harley pelos atoleiros foi uma aventura à parte
Meu pneu continuava liso e algumas nuvens despontavam no céu. Depois daquele Rally nosso planejamento foi para o brejo. Estávamos longe de Curitiba e não daria tempo para explorar a cidade, alguns queriam ver o Farol de Santa Marta, mas o acesso é feito por balsa e demoraria muito. Recebi um SMS dizendo que meu pneu já havia sido adquirido, apenas teria de achar alguém para substitui-lo. Segui mais tranquilo. Como estávamos cansados do dia anterior aumentamos o número de paradas na estrada, mas imprimimos uma boa velocidade e logo vencemos os 400k que nos separava do nosso objetivo. Chegamos a Curitiba.
Depois de vencer as ladeiras, os buracos e a lama as motos ficaram entupidas de barro
Seguimos para Santa Felicidade, em direção a Gauden Bier – uma fábrica de cervejas artesanais, onde trabalha o pessoal que me ajudou com o pneu. A recepção foi fantástica. Eles estavam reunidos com um grupo de cervejeiros, fazendo degustação de uma nova safra de Double Vienna - uma Vienna Lager bem lupulada, com toque levemente adocicado. Ela ganhou a medalha de ouro no I Concurso realizado durante o Festival Brasileiro em 2013. Em torno de um balcão cheio de copos, ao som de Rock n´Roll fomos convidados a relaxar e tomar uma cervejinha gelada. Depois fomos à fábrica conhecer o processo de produção de cervejas e encher nossos copos, direto do tanque de fermentação. Almoçamos por ali mesmo, todos juntos.
Parada para um gole: Fábrica de cerveja Gauden Bier
Precisava encontrar um borracheiro para colocar o pneu novo, em Curitiba aos sábados, a maioria do comércio fecha depois do almoço, tivemos a informação de que encontrar alguém habilitado não seria fácil. Encontrei um estabelecimento, desses que executam diversos serviços automotivos e entrei com a moto. Antes mesmo de descer um rapaz magro de cabelos longos com uma camiseta do Abutres MC, o Bily, se aproximou e disse para eu ficar tranquilo, que meu problema seria resolvido. Eu usava o colete do
meu Moto Clube, o Arcanjos e rapidamente fui identificado pelo colega Abutre, ele me disse que não estavam funcionando, estavam ali para fazer algumas obras no local, mas mesmo assim me atenderia. Serviu-me uma cerveja bem gelada e começamos a falar sobre motos e moto clubes, é claro. Enquanto isso, na oficina, o filho do Bily trabalhava na minha moto, rapidamente o pneu estava instalado e pronto pra rodar. Sabe quanto paguei? Nada. O Bily não cobrou, disse que foi um favor de irmão de estrada. Salve o Bily!
No dia seguinte montamos em nossas máquinas e subimos para São Paulo pensando em Tiradentes MG, a próxima viagem.


Acabou. Em Julho tem Tiradentes.
Vejo vocês depois.
Renato Flor




Veja também, nos links a baixo, a viajem que fizemos, em maio de 2013, por parte da costa Oeste dos EUA. Saímos de Los Angeles e fomos até Monterey, descendo pela Highway One até San Diego:






terça-feira, 1 de novembro de 2011

Embora Harley-Davidson venda a imagem de "made in USA" é montado em Manaus para fugir dos impostos



 Harley-Davidson aposta no mercado brasileiro e busca público feminino para aumentar vendas. 



Veja a seguir matéria publicada no Wall Street Journal:



The Wall Street Journal, de Mentor, Ohio



Durante anos, Lisa Ruschman repudiou o interesse de seu marido em motocicletas. É muito perigoso, dizia ela.

Então, o que ela, uma criadora de delicados artesanatos feitos de vidro, fazia na concessionária local da Harley-Davidson recentemente? Agora que seus dois filhos estão na faculdade, Ruschman explicou, ela e seu marido precisam de novas aventuras e talvez em breve comprem sua primeira Harley. "Agora tenho uma nova vida," disse depois de posar montada num modelo "chopper". "Esta é a fase número dois."

Na medida em que se recupera de uma queda em vendas causada pela recessão nos Estados Unidos, a Harley-Davidson Inc. está intensificando seus esforços para atrair pessoas como a senhora Ruschman que não se encaixam no perfil usual da Harley. A empresa quer atrair mais mulheres, minorias, jovens adultos e pessoas de fora dos Estados Unidos, sendo o Brasil, onde já monta motos desde 1999, um dos principais alvos.

A necessidade de diversificação ficou especialmente urgente porque nos EUA a geração pós-guerra de homens brancos estão já passando de seus dias "born-to-be-wild". Para a Harley o truque é atrair um público mais amplo sem enfraquecer a imagem masculina de uma empresa que se gabava por fabricar "grandes brinquedos para meninos crescidos".

"Não estamos tentando ser tudo para todo mundo", disse Mark-Hans Richer, chefe de marketing da Harley, ao Wall Street Journal. "Estamos tentando ser nós mesmos para mais pessoas."


A recessão de 2008-09 foi devastadora para a empresa de 108 anos de idade. Centenas de milhares de motociclistas desempregados venderam suas motos ou as tiveram confiscadas, criando um excesso de motos usadas no mercado — o que diminuiu a venda das novas. As vendas de Harleys novas no varejo dos EUA começaram a subir neste ano, pela primeira vez desde 2006, mas estão mais de 40% abaixo do nível daquele ano. Craig Kennison, analista da firma de gestão de recursos Robert W. Baird & Co., prevê um crescimento no mercado americano de apenas 3% a 5% anualmente durante os próximos anos.

A Harley reagiu à crise com bravatas: "Não temos medo", anunciava uma propaganda durante os piores dias da recessão de 2008, acrescentando: "Dane-se, vamos botar o pé na estrada." Mesmo assim, a empresa fez um pouco de ajuste. Em 2009, um novo diretor-presidente, Keith Wandell, abandonou duas marcas secundárias de baixo desempenho, a Buell e a Agusta, esta última adquirida havia apenas um ano. O objetivo era poder focar na linha Harley. Ele também cortou custos para permitir que a empresa sobrevivesse com vendas mais baixas — a força de trabalho atual de cerca de 6.500 é 37% menor do que há quatro anos.

A reorganização interrompeu a produção no terceiro trimestre, prejudicando as margens de lucro da Harley, mas seus executivos dizem que vai valer muito a pena ao longo dos próximos anos.

A Harley domina o mercado americano de motocicletas de peso, com uma fatia de cerca de 55% que esmaga rivais como a Honda Motor Co. e a Yamaha Motor Co. nessa categoria. Mas o mercado está lento. "Nossa estratégia é aumentar o número de motociclistas" fora do núcleo de homens brancos com mais de 35 anos de idade, disse Wandell ao The Wall Street Journal.

A idade média dos proprietários de motocicletas nos EUA é cerca de 40, contra 32 em 1990, de acordo com o Conselho da Indústria da Motocicleta. Para a Harley, a faixa etária é ainda maior porque muitos jovens não podem pagar os seus preços altos. Em 2007, a Harley estimou que a idade média de seus compradores era 47. Desde então, a empresa parou de fornecer atualizações, dizendo que o número pode ser enganoso.

Para atrair mais mulheres, que representam cerca de 10% dos proprietários de motocicletas nos EUA, as concessionárias Harley organizam "festas de garagem", como a que Ruschman e dezenas de mulheres participaram recentemente. Scott Miller, diretor de marketing da concessionária de Mentor, pintou o cabelo de rosa e exaltou os benefícios psicológicos do motociclismo. "Trata-se da capacidade de estender a sua personalidade", disse ele enquanto as mulheres tomavam vinho. "Ou desenvolver uma nova."

Para as mulheres, a Harley divulga os modelos com assentos mais baixos como sendo mais fáceis de manusear. O site da Harley traz um vídeo mostrando como até mesmo uma mulher pequena pode levantar uma moto de 250 quilos ou mais, se ela tombar. "Os músculos que tornam isso possível estão nas pernas e no bumbum", explica o vídeo.

A Harley diz que a Sportster, que pesa 250 quilos e custa cerca de US$ 8.000 nos EUA, é uma motocicleta para iniciantes mas algumas mulheres ainda a acham volumosa demais. As concessionárias Harley dizem que a empresa está desenvolvendo um modelo menor, mas a Harley se recusa a comentar planos para novos produtos. Mark-Hans Richer, diretor de marketing da Harley, disse que a empresa deve tomar cuidado para não diluir sua imagem de ser uma fabricante de máquinas grandes e poderosas.

Fora dos EUA, a prioridade da Harley inclui a China, a Índia e a América Latina. Hoje, as vendas fora dos EUA representam cerca de um terço do total, contra 22% há cinco anos. A Harley pretende aumentá-la para mais de 40% até 2014.

O Brasil tem sido um mercado importante para ela. Embora a empresa se atenha a sua imagem de "made in USA", ela tem montado motos em Manaus para evitar impostos de importação.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CVO Ultra Classic Electra Glide é a Harley mais cara do mercado: R$ 104,9 mil


Das oito novidades que a Harley-Davidson apresentou no Salão Duas Rodas a CVO Ultra Classic Electra Glide, topo de linha da marca, custa nada menos que R$ 104,9 mil.

O modelo é o máximo em tecnologia e conforto disponível na linha Harley. Seu motor de 1800 cm³ é o maior produzido pela marca. Parece até BMW. As manoplas têm aquecimento, há equipamento de som com Ipod incluso, lanternas com LEDs e sistema de navegação GPS à prova d'água.

A moto tem suspensão traseira ajustável a ar e freios com ABS de série.

A CVO Ultra Classic Electra Glide concorre com a BMW K 1600 GT (a partir de R$ 99,5 mil) e a Honda CL 1800 Gold Wing (R$ 92 mil). Segundo a Harley, apenas 50 unidades chegarão ao Brasil.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Harley apresenta oito novos modelos

A Harley-Davidson anunciou oito novos modelos da linha 2012, no Salão Duas Rodas. Dentre eles, dois serão lançados no ano que vem simultaneamente aos Estados Unidos: V-ROD 10th Aniversary e a Switchback.

Juntamente com os modelos, a Harley divulgou também os preços de cada um. Segundo a montadora, a Swtichback, touring com desempenho de cruiser, terá motor de 1 600 cilindradas e preço de R$ 43 700. Também com motor de 1 600 cm³, a americana lança a custom Fat Bob, no valor de R$ 40 700.

Ainda nas novidades, a Harley-Davidson apresentou mais um dos modelos produzidos em Manaus: a custom Blackline, com motor de 1 600 cm³ e valor de R$ 42 100. Já para os amantes das motos turísticas, a fabricante anunciou a nova Street Glide, com motor de 1 700 cilindradas. Com ABS, a moto custará R$ 61 200. Ainda touring, a Electra Glide Ultra Limited foi anunciada com piloto automático e sistema exclusivo de áudio, custando R$ 68 400.

Seguindo a dinâmica da coletiva, porta-vozes da montadora americana anunciaram a V-ROD, que comemora o décimo aniversário da versão, sendo edição limitada no valor de R$ 53 700. A próxima moto a ser divulgada foi a CVO Ultra Classic Electra Glide, que possui rodas de 17’’, GPS e entrada para Ipod. Equipada com motor de 1 800 cilindradas, 50 unidades estarão disponíveis no Brasil e custarão R$ 104 900.

Entre os lançamentos, a Harley do Brasil divulgou modelos e preços da linha 2012, além de estabelecer a meta de abrir mais 12 concessionárias até o final de 2012. Salvador, Fortaleza, Brasília e Campo Grande são alguns dos locais nos quais a marca pretende expandir a rede.

Fonte : http://motociclismo.terra.com.br

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Em MS, Exército leiloa sucatas de Harley Davidson com lances a partir de R$ 200

18° Batalhão Logístico de Campo Grande leiloará nesta quinta-feira (18), a partir das 14h, um lote com 34 viaturas militares camufladas entre motos Harley Davidson, jipes, carros, microônibus e sucatas, com lances que variam entre R$ 200 até R$ 10.000.

Os veículos não sucateados podem circular pelas ruas após a troca de emplacamento. O quartel militar está aberto desde a manhã desta terça-feira (16) até amanhã (17) das 9h às 11h e das 14h às 16h.

O site canal de leilões tem os detalhes de cada viatura, foto e o valor inicial de cada lance. Uma moto da marca Harley Davidson, por exemplo, que era utilizada pela Polícia do Exército, tem como lance inicial o valor de R$ 5.000.

Uma viatura tipo Jeep Rádio Montez, de 1995, tem lance inicial de R$ 6.000 e uma moto Honda ano 1983 tem lance de R$ 200.

Evelin Araujo | Midia max


terça-feira, 5 de abril de 2011

Harley Davidson Brasil: e não é que os preços não aumentaram!



Depois de anunciar que assumiria as operações brasileiras, a Harley-Davidson divulgou os novos preços de seus modelos para o mercado nacional e superou as expectativas. A matriz norte-americana agora tem o controle total das vendas no País. Os valores referem-se aos modelos da linha 2011, que começam chegar às lojas em breve. As motos continuam a ser montadas em Manaus/AM, os modelos da linha VRSC, Night Rod Special e V-Rod Muscle ficaram mais baratas. A produção na zona franca reduz o custo dos impostos e a nova administração de vendas e distribuição proporciona a redução de valores. O modelo de ingresso na linha pode ser encontrado a partir de R$ 46.500.



A Softail, Fat Boy, vem com freios antitravamento (ABS) e será comercializada com valores a partir de R$ 44.900. Quem imaginava que os preços das novas motos ganhariam cifras estratosféricas, rodou. Parece que os caras vieram firmes no guidão.